Ela começou a esquecer as coisas — e não imaginava o porquê
Muitas mulheres percebem que o corpo mudou, mas não conseguem entender a causa. Nomes que fogem, chaves que some, palavras que somem no meio da frase. E junto com o esquecimento, uma série de outros sinais aparecem quase ao mesmo tempo.
O que pouquíssimas imaginam é que tudo isso pode ter uma origem comum: a perimenopausa — a fase de transição hormonal que antecede a menopausa, e que transforma o corpo de formas muito mais profundas do que se imagina.
Primeiro veio o sono ruim — depois tudo mudou
O padrão costuma ser parecido entre as mulheres que chegam ao consultório. Os primeiros sinais raramente são os mais "clássicos" da menopausa. Aparecem de forma sutil, quase despercebida:
- O sono que antes era tranquilo começa a fragmentar — acordar às 3h sem motivo, dificuldade para voltar a dormir;
- A irritação aumenta sem razão aparente — pequenas coisas que antes passavam despercebidas passam a incomodar demais;
- A memória falha — ela que sempre teve boa memória começa a esquecer compromissos, palavras, detalhes;
- A dificuldade de concentração aparece no trabalho, nas conversas, nas leituras.

Ela ainda menstruava normalmente — por isso não imaginava
Um dos motivos pelos quais a perimenopausa passa tanto tempo sem ser identificada é simples: a mulher ainda menstrua.
Existe uma crença arraigada de que a menopausa começa quando a menstruação para. Então, enquanto o ciclo está presente — mesmo que irregular —, a mulher não considera a hipótese de estar vivendo uma transição hormonal.
E é exatamente nessa janela que os sintomas se instalam silenciosamente: o sono piora, o humor oscila, a memória falha, o intestino muda. Tudo isso enquanto a menstruação ainda acontece, muitas vezes de forma regular.

Por que a menopausa não começa aos 50
A perimenopausa pode começar muito antes do que a maioria imagina. Os sinais podem aparecer 8 a 10 anos antes da última menstruação — o que significa que mulheres a partir dos 40, e até mesmo no final dos 30 anos, já podem estar vivenciando essa transição.
Do ponto de vista fisiológico, o que acontece é uma flutuação progressiva nos níveis de estrogênio e progesterona. Essa instabilidade hormonal — antes que os níveis caiam de vez — é responsável por uma série de sintomas que não parecem "hormonais" à primeira vista.
O problema é que, sem esse diagnóstico, a mulher passa anos buscando respostas em outros lugares: cardiologistas, neurologistas, psiquiatras — sem que ninguém conecte os pontos.

Os primeiros sintomas geralmente são neurológicos — não ginecológicos
Esse é um dos pontos mais importantes e menos conhecidos sobre a perimenopausa: os primeiros sintomas raramente são os fogachos ou as alterações menstruais que se associam à menopausa. Na maioria das vezes, os primeiros sinais são neurológicos:
- Névoa mental (brain fog): sensação de lentidão cognitiva, dificuldade para pensar com clareza, raciocinar rápido;
- Irritabilidade desproporcional ao contexto — uma impaciência que parece surgir do nada;
- Ansiedade de início novo ou piora de uma ansiedade prévia, especialmente à noite ou ao acordar;
- Memória ruim — falhas específicas de memória episódica e de trabalho, como esquecer o que ia buscar ou o nome de pessoas conhecidas.
Isso acontece porque o estrogênio tem papel direto na função cognitiva, na regulação do humor e na produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina. Quando ele começa a oscilar, o cérebro sente.

Depois o intestino também muda
A queda do estrogênio não afeta apenas o cérebro. O intestino também responde a essas mudanças hormonais — e muitas mulheres percebem alterações digestivas que simplesmente não existiam antes:
- A barriga fica mais inchada, mesmo sem ter mudado o cardápio;
- A constipação piora — o intestino que antes funcionava bem começa a ficar mais lento;
- Ela começa a reagir a alimentos que comia sem problema — como glúten, laticínios ou certos carboidratos — e passa a ter gases, desconforto e distensão após as refeições.
Isso acontece porque o estrogênio influencia diretamente a motilidade intestinal e a diversidade da microbiota intestinal. Com a queda hormonal, o ambiente intestinal se altera — e o intestino passa a ser um espelho da transição que está acontecendo no corpo.

"Meu corpo não responde mais como antes"
É uma das frases que mais aparecem no consultório. E ela resume exatamente o que acontece na perimenopausa:
"Estou mais esquecida." "Meu intestino mudou." "Estou cansada o tempo todo." "Ganhei peso mesmo mantendo a mesma rotina."
Não é exagero. Não é "coisa da cabeça". Não é falta de disciplina. É o corpo respondendo a uma mudança hormonal real — e pedindo uma estratégia diferente.
O problema é que, sem identificar a causa, a mulher tenta as mesmas soluções de sempre: cortar calorias, fazer mais exercício, dormir mais cedo. E os resultados não vêm. Porque o problema não é comportamental — é hormonal e metabólico.

A queda hormonal muda muito mais do que o ciclo menstrual
Quando o estrogênio cai, as consequências se espalham por praticamente todos os sistemas do organismo. Por isso o impacto da perimenopausa é tão amplo e tão difícil de nomear quando se olha para os sintomas de forma isolada:
- Aumenta a inflamação sistêmica: sem o efeito anti-inflamatório do estrogênio, o organismo entra em um estado inflamatório de baixo grau — que favorece dores, fadiga e piora dos sintomas digestivos;
- Diminui a sensibilidade à insulina: o metabolismo da glicose muda, favorecendo acúmulo de gordura abdominal mesmo sem alteração na alimentação;
- Reduz a massa muscular: a queda de estrogênio acelera a perda de músculo (sarcopenia), o que impacta metabolismo, força e disposição;
- Altera a produção de neurotransmissores: serotonina, dopamina e GABA são influenciados pelo estrogênio — por isso humor, sono e ansiedade são afetados;
- Afeta negativamente a microbiota intestinal: o estrogênio tem papel regulador na diversidade bacteriana do intestino — sua queda altera a composição da microbiota, com impacto direto na digestão, imunidade e humor.
Nutricionista especialista em SOP e endometriose em Brasília
Se você tem SOP, endometriose ou desequilíbrio hormonal, uma abordagem clínica estruturada pode mudar o que tratamentos genéricos não conseguiram.
Conheça a abordagem clínica →
A mulher 40+ não precisa aceitar os sintomas — precisa entender o que está acontecendo
A perimenopausa exige uma abordagem integrada. Alimentação, massa muscular, sono, microbiota intestinal, manejo do estresse e saúde hormonal precisam caminhar juntos nessa fase da vida.
Na prática nutricional, essa fase pede atenção especial para:
- Proteínas em quantidade suficiente para preservar massa muscular;
- Estratégias alimentares para reduzir inflamação e melhorar a sensibilidade à insulina;
- Modulação da microbiota com fibras prebióticas e alimentos fermentados;
- Nutrientes que apoiam a função cognitiva e a produção de neurotransmissores;
- Ajuste calórico que considera a mudança no metabolismo, sem dietas restritivas que pioram a perda muscular.
O que é perimenopausa e quais são os sintomas mais comuns?
Muitas mulheres percebem que o corpo mudou, mas não conseguem entender a causa. Nomes que fogem, chaves que some, palavras que somem no meio da frase. E junto com o esquecimento, uma série de outros sinais aparecem quase ao mesmo tempo.
Como a alimentação pode ajudar no tratamento de perimenopausa?
Muitas mulheres percebem que o corpo mudou, mas não conseguem entender a causa. Nomes que fogem, chaves que some, palavras que somem no meio da frase. E junto com o esquecimento, uma série de outros sinais aparecem quase ao mesmo tempo.
Preciso de acompanhamento nutricional para perimenopausa?
Sim. Perimenopausa: Por Que Seu Corpo Não Responde Mais Como Antes é um tema que envolve múltiplos fatores — alimentação, microbiota, estresse e histórico clínico — e o tratamento precisa ser individualizado. Uma nutricionista especializada consegue identificar a causa raiz e montar um protocolo personalizado, com resultados muito mais eficazes do que intervenções genéricas.
Você percebeu alguma mudança no seu corpo nos últimos anos? Se os sintomas descritos aqui fazem sentido para você, essa pode ser a fase da perimenopausa — e ela tem condução. Agende uma consulta e entenda o que está acontecendo com o seu corpo.